Manteve-se firme,por muito tempo,contra a
correnteza.
Quando voltou-se para o fluxo,já era pedra
polida.
-fls-
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
sábado, 6 de maio de 2017
sexta-feira, 14 de abril de 2017
À força arrancaram de seu ventre o rebento. Levaram pra distante de seus olhos o tesouro que ali guardava; e ali entre sangue um
Aos gritos lhe roubaram o encantamento do milagre; jogaram brasa no chão novo que seus pés haveriam de pisar. Cantava-lhe nas noites frias e longas as mais doces cantigas de ninar.
Até o raiar dos dias ou do escurecer das noites, a seu lado, espiou sua respiração cuidadosamente.
A vida seguindo impiedosamente cortava com sua navalha o sonho no qual segurava as mãos macias do seu amor, colocando-se à frente nas ventanias e tempestades.
Num mundo sombrio cercado de medo, tornou-se, propriamente, o pior pesadelo de sua maior riqueza.
Aos gritos lhe roubaram o encantamento do milagre; jogaram brasa no chão novo que seus pés haveriam de pisar. Cantava-lhe nas noites frias e longas as mais doces cantigas de ninar.
Até o raiar dos dias ou do escurecer das noites, a seu lado, espiou sua respiração cuidadosamente.
A vida seguindo impiedosamente cortava com sua navalha o sonho no qual segurava as mãos macias do seu amor, colocando-se à frente nas ventanias e tempestades.
Num mundo sombrio cercado de medo, tornou-se, propriamente, o pior pesadelo de sua maior riqueza.
As palavras pontiagudas entram fazendo estardalhaço nas células do ouvido, estilhaçando todo e qualquer sentimento à sua volta. Não,não é suicídio, é crime de ódio.
No suicídio a alma fenece e descansa. No ódio segue erosada.
E na sequência das horas, na escuridão ou na clareza dos dias, está sempre o medo remetendo ao que passou ou ao que virá. Tanto faz; ele sempre esteve e sempre vai estar armado até os dentes, apontando sua arma que dispara discórdia, solidão, pecados que não terão perdão.
Constrói-se a vida mesmo assim, em torno das pedras que batem à janela, ameaçando jogar os cacos de vidro na cortina com a qual se protege os tesouros.
Não há tempo para fugir, nem portas por onde sair. É preciso arranhar a pele com as unhas pra se sentir forte diante do perigo que mata o sonho.
Não há caminho de volta, nem para onde ir; é pela contra mão que o terror entra, atingindo de frente todos em seu caminho. As lembranças a carregar serão aquelas que cada um escolher.
As verdades não virão à tona, nem os disfarces que se criou para sobreviver em meio à tempestade. As ondas gigantes que inundaram a casa e trouxeram o tsunami voltam sempre, às vezes disfarçadas, mas são sempre as mesmas, fazendo da história um permanente funeral de afogados.
-fls-
No suicídio a alma fenece e descansa. No ódio segue erosada.
E na sequência das horas, na escuridão ou na clareza dos dias, está sempre o medo remetendo ao que passou ou ao que virá. Tanto faz; ele sempre esteve e sempre vai estar armado até os dentes, apontando sua arma que dispara discórdia, solidão, pecados que não terão perdão.
Constrói-se a vida mesmo assim, em torno das pedras que batem à janela, ameaçando jogar os cacos de vidro na cortina com a qual se protege os tesouros.
Não há tempo para fugir, nem portas por onde sair. É preciso arranhar a pele com as unhas pra se sentir forte diante do perigo que mata o sonho.
Não há caminho de volta, nem para onde ir; é pela contra mão que o terror entra, atingindo de frente todos em seu caminho. As lembranças a carregar serão aquelas que cada um escolher.
As verdades não virão à tona, nem os disfarces que se criou para sobreviver em meio à tempestade. As ondas gigantes que inundaram a casa e trouxeram o tsunami voltam sempre, às vezes disfarçadas, mas são sempre as mesmas, fazendo da história um permanente funeral de afogados.
-fls-
sexta-feira, 20 de maio de 2016
quarta-feira, 27 de abril de 2016
chovia
as gotas na parte de fora do vidro do carro embaçavam o campo de visão
mesmo assim olhava longe; nada via, estava no quarto onde dormia
e todas as noites os fantasmas voltavam; sentia seus passos, o barulho das gavetas que se abriam
e também lá fora, na escuridão da noite algumas almas sondavam pelas frestas da janela veneziana
o medo morava dentro
e ia junto no sono, no sonho; cavalgava um cavalo sem rosto e trazia frio para seu corpo
a estrada paralela era de ferro, e ali caminhava desafiando a sorte
na outra estrada, transversal, o asfalto era quente e os perigos rondavam em quatro rodas, e seus cavaleiros sem rosto eram também portadores de frio
habitava um pequeno pedaço do imenso mundo que havia lá fora, onde os gatos e os porcos gritavam, e as pessoas mentiam
e num tempo tardio, olhando as gotas de chuva no pára-brisa do carro; o vidro embaçado pelo vapor da respiração pausada
percebe que já não há fantasmas sem rosto; todos têm semblantes pecadores
e é preciso purgar o espírito com a pena máxima
que não é de morte
mas sim de vida
-fls-
percebe que já não há fantasmas sem rosto; todos têm semblantes pecadores
e é preciso purgar o espírito com a pena máxima
que não é de morte
mas sim de vida
-fls-
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